sexo gratis posteO argumento de Sandra Nicolau é interessante: um autorretrato das relações (sexuais ou amorosas) em um mundo dominado por redes sociais virtuais. É esse o pontapé inicial da dramaturgia da comédia romântica “Sexo Grátis, Amor a Combinar”, escrita por Raul Franco (de “Crônicas do Amor Mal Amado”), e dirigida por Bia Oliveira (também de “Crônicas…”). Trata-se de um espetáculo jovem – com sete atores no elenco, todos com aparências entre 20 e 25 anos – e, assim sendo, ágil, entrecortado, e cheio de diálogos simultâneos. Sabe o excesso de informação que todos os jornais dizem que a sociedade contemporânea tem que lidar? Então, isso está impresso positivamente em cena.

Na trama, há um garanhão assumido (Lucas Cordeiro), uma desiludida rabugenta (Yana Sardenberg), uma amiga liberal (Lu Rocha), uma romântica (Camila Mayrink), recém separada após descobrir que foi traída pelo namorado (Pedro Aquino), um escritor aberto a experiências (Luca Pougy) e um mineiro em busca de sexo no Rio (Vitor Rios). Todos os personagens estão interligados de alguma maneira, e passeiam entre si e suas próprias histórias. Mas, curiosamente, a do mineiro é a única a explorar claramente a questão das mídias sociais, proposta na sinopse. Ele recorre a aplicativos como o Tinder (e a chats telefônicos) para encontrar uma menina. Suas cenas ouvindo os próprios áudios enviados no Whatsapp são ótimas. Os demais personagens trabalham mais no plano real do que no virtual, o que é um claro desvio do texto. A questão digital é mais explorada inteligentemente pela direção – que põe celulares e seus desdobramentos (“selfies”, gravações de vídeo) em cena – do que pelo fio condutor da história.

Lucas Cordeiro, Yana Sardenberg e Vitor Rios estão especialmente bem. Os dois atores proporcionam os momentos mais engraçados do espetáculo, e ela é extremamente natural e convincente. A cena de sexo entre os personagens de Lucas e Yana, aliás, é um dos bons momentos da peça: enquanto fazem acrobacias, ela narra sua versão do momento, em paralelo à versão dele. Um acerto do texto e da direção, bem desempenhado pelos atores. A comunicação com o público acontece, ao se reconhecer no palco.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Um ponto negativo, além da perda de rumo dramatúrgica, é o cenário. A concepção dos degraus que se transformam em diferentes ambientes é criativa, mas os livros pendurados como cortina no fundo do palco não. Além disso, são inúteis cenicamente, entregando um déficit nesse sentido. Figurinos e iluminação, por sua vez, não comprometem.

Confira como foi a estreia da peça

Bom entretenimento, “Sexo Grátis, Amor a Combinar” diverte e tem potencial para melhorar ao longo da temporada, que vai até 27 de setembro no Teatro dos Grandes Atores, no Shopping Barra Square. As sessões são sempre sextas e sábados às 23h, com ingressos a R$ 60. A classificação indicativa é de 14 anos.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural