(Foto: Divulgação / TV Globo)
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Depois da crítica da Bárbara Heliodora ao excesso de monólogos no circuito teatral carioca, é a vez da Marieta Severo (de “Incêndios”) dar a sua opinião. A atriz, fundadora do Teatro Poeira com Andréa Beltrão, acredita que há atualmente uma preponderância de musicais e comédias, e carência de outros gêneros. “Acham que ‘o público quer isso’. Sempre que a gente acha que o público quer alguma coisa, entra em um caminho ruim e perigoso”, avalia ao Teatro em Cena. “A gente não sabe o que o público quer, e ele pode querer as coisas mais diversas também”.

Em cartaz com “Incêndios”, pelo qual recebeu o Prêmio APTR de Melhor Atriz, Marieta garante que não tem nada contra os musicais, as comédias e os monólogos. Ela mesma é fã de musicais. “Grande parte desses que são mostrados aqui, eu vi na década de 1970 e na década de 1980, porque não perdia um”. O problema, para ela, é quando há só isso. “O bom é a diversidade. Quando apostam em um caminho só é muito ruim, porque o teatro perde e fica empobrecido. Ficam só os mesmos caminhos se repetindo, sem propor coisas novas, sem abrir outras possibilidades, sem abrir a cabeça do público”.

“Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”, que revive canções compostas pelo ex-marido da atriz para musicais, e “Se Eu Fosse Você, o Musical”, que adapta os filmes de sucesso para o teatro, são as superproduções atuais. “Novelas, o Musical”, “Jim”, “Edypop”, “Buraco da Lacraia Dance Show” e “Vampiras Lésbicas de Sodoma” confirmam a tendência, com tantos outros a caminho. Listar as comédias, no entanto, é mais árduo. Elas são rainhas das salas na cidade – revelando, talvez, o que Bárbara Heliodora chama de “mito de que teatro é só divertimento”.

Por isso, Marieta Severo fica especialmente feliz com o sucesso de “Incêndios”, que faturou troféus no Prêmio APTR, Shell e Questão de Crítica. A peça, com direção do Aderbal Freire-Filho (de “Deixa Que Eu Te Ame”), está em sua segunda temporada no Rio de Janeiro, com sessões esgotadas diariamente. “É uma tragédia contemporânea, que não é uma escolha óbvia de comunicação certeira com o público”, define a atriz. “É um acerto. Com meus quase 50 anos de teatro, a gente sabe que esses acertos vêm de vez em quando. Depois a gente pena, pena, pena e acerta outra. Esse é um grande acerto”.

E você, o que pensa sobre o circuito teatral carioca? Está homogeneizado ou não?