Como primeira medida no cargo de presidente da república, Michel Temer (PMDB) definiu seu ministério e diminuiu o número de pastas de 31 para 24. Com a justificativa de corte orçamentário, ele eliminou e fundiu ministérios, como é o caso da Educação e da Cultura, que passaram a ser um só. O escolhido para assumir a pasta é o deputado Mendonça Filho (DEM), que foi vice-governador de Pernambuco entre 1999 e 2005 e assumiu a gestão quando o governador Jarbas Vasconcelos foi para o Senado. Ele tem 49 anos, é conhecido como “Mendoncinha” (seu pai foi deputado federal), formou-se em administração de empresas, e é herdeiro de agroindústrias. É um dos nomes citados na Operação Lava Jato.

Mendonça Filho: ministro da Educação e Cultura (Foto: Reprodução)
Mendonça Filho: ministro da Educação e Cultura (Foto: Reprodução)

Defensor da educação integral, o novo ministro terá como desafio dar conta desse ministério duplo. Sua nomeação foi recebida com receio por profissionais da área artística. Apesar disso, Mendonça Filho garante que não vai extinguir nenhum programa das duas pastas fundidas e que “tudo o que tiver impacto para a sociedade será mantido e fortalecido” (o que, sim, é subjetivo). Ele também diz que quer fortalecer o diálogo com movimentos sociais e trabalhadores em busca da convergência.

Juca Ferreira, ministro da Cultura no governo Dilma Rousseff, afastada pelo processo de impeachment, fez um post sobre as mudanças no Facebook. “Hoje nos despedimos do Ministério da Cultura. Todos juntos, reafirmamos a centralidade da cultura no desenvolvimento do Brasil. Exaltamos a diversidade cultural brasileira, traço de nossa singularidade, marca do nosso lugar no mundo”, escreveu, “Ao lado dos artistas e dos fazedores culturais, trabalhamos movidos pelo compromisso com a cidadania, pelo aprofundamento da democracia, na construção de um Brasil justo e generoso. Eu fui feliz e sabia”.

Já há abaixo-assinado pela volta do MinC (Foto: Reprodução)
Já há abaixo-assinado pela volta do MinC (Foto: Reprodução)

Na Internet, começam as primeiras iniciativas pela volta do Ministério da Cultura. Corre um abaixo-assinado na plataforma Change.org (veja aqui) e foi aberta também uma página no Facebook (confira). O presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR), Eduardo Barata, disse que é necessário “defender o Ministério da Cultura” independente de partido ou posição ideológica. “Que economia é essa que extingue uma pasta com um dos menores orçamentos da União?”, escreveu. A cantora e atriz Emanuelle Araújo disse que é preciso “mais afeto, no sentido essencial da palavra: nos afetemos. O coletivo pede socorro”.

Em tom irônico, o ator Charles Fricks (de “O Filho do Pai”) deu “parabéns a todos os envolvidos, os paladinos anti-corrupção e os omissos”. Deborah Bloch (de “Os Realistas”) perguntou: “satisfeitos?”. Hugo Bonemer (de “Enterro dos Ossos”) se disse de luto: “medo dos próximos capítulos”. O autor de novelas Walcyr Carrasco também escreveu sobre o panorama: “não concordo com a agregação do Ministério da Cultura ao da Educação. O da Educação é importantíssimo, exige todas as forças do ministro, para preencher uma lacuna neste país. O nó da Educação é também o nó do desenvolvimento a médio e longo prazo. Sem educação, não teremos. Só que isso não exclui a necessidade de um projeto cultural para o país. Um projeto que estimule as expressões artísticas, inclusive regionais. Que preserve a imensa riqueza cultural do país! Temer é um poeta. Eu li suas poesias, e gostei. Têm qualidade. Como um poeta pode tirar a independência do Ministério da Cultura?”.