O Teatro O Tablado, conhecido por suas produções infantis, vem sendo sacudido desde o dia 18 de março pelo Coletivo Mulheres de Buço. Conhecido pelo teor feminista escrachado de suas músicas, o grupo está em cartaz com um espetáculo que leva seu nome e é definido como uma peça-show. Por escrachado, entenda composições com versos como “tu tá cheio de opinião, mas nem consegue achar meu grelo”. Se não é uma revolução para o teatro de Maria Clara Machado, é, no mínimo, uma ventania para refrescar o ambiente.

(Foto: Divulgação)

– O Tablado foi fundado por uma mulher, quem cuida da administração são mulheres e agora nós temos a honra de estarmos em cartaz nessa casa que é matriarcal. Várias gerações já passaram pelo Tablado e deixaram sua marca. Sentimos que nesse momento é isso o que estamos fazendo. Renovando as energias do espaço, trazendo a potência dos novos ares da juventude. – o coletivo pontua ao Teatro em Cena.

Formado por Beatriz Morgana, Carolina Repetto, Clarice Sauma, Joana Castro, Lilla Wodraschka, Lucia Barros e Manuela Llerena, o Mulheres de Buço convidou para a direção doo espetáculo mais duas mulheres: Julia Stockler (de “Boa Noite, Professor”) e Laura Araujo (assistente de direção de “Tãotão”). Na peça-show, trabalham com um híbrido de show performático e peça musicada. A narrativa se passa no camarim de um show: momentos antes de subir no palco, o grupo se depara com dúvidas, medos, euforias, memórias, inquietações e expectativas, que se conectam com suas músicas. O que se vê em cena é realmente um material real, fruto do processo colaborativo e da exploração autobiográfica.

– Todos os processos realizados pelo coletivo, desde esquetes, músicas até essa peça foram feitos de maneira autoral. Convidamos as diretoras para darem norte para todas as vozes e desejos que queriam ser escutados e postos no mundo. Partimos de improvisos e cenas coletivas já exploradas pelo grupo ao longo dos quatro anos de pesquisa para construir a linha narrativa. – explicam.

(Foto: Divulgação)

O material apresentado é politicamente consciente, e em diálogo com questões contemporâneas. No último ano, Mulheres de Buço fizeram shows no Ocupa Minc, no Ocupa Canecão, no Ocupa Monteiro, no Ocupa André Mourois e na Bienal da UNE, em Fortaleza – uma amostra de seu engajamento. “Há todo momento, somos fortemente influenciadas e motivadas pelas questões políticas e sociais que nos rodeiam”, sublinham. Já são um nome conhecido, com força entre universitários. Prova disso, foram atração da final do último FESTU. O trabalho, declaradamente feminista, tem objetivo de se comunicar com todos.

– Uma parede tem dois lados, mas e o mundo? Será que ele só tem dois lados? Queremos cruzar essa fronteira. Queremos ir além dos gêneros e nos voltar para o sensível. Para o que está estampando nos corpos e nos discursos mas que “maquiamos” tirando o corpo fora. Nessa peça-show queremos todos os tipos de corpos juntos, vibrando e dando a cara a tapa.

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SERVIÇO: sáb e dom, 21h. R$ 40. Classificação: 16 anos. Até 16 de abril. Teatro O Tablado – Avenida Lineu de Paula Machado, 795 – Lagoa. Tel: 2294-7847.