Música alternativa? – Por Tacy de Campos

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(Foto: Divulgação)

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Cada um tem seu gosto musical. E creio que nisso, assim como nos demais aspectos, temos todos que ser respeitadores uns com os outros. A música “boa” é muito relativa conforme a época, as pessoas, o momento. Pra mim, as músicas boas são todas aquelas que não tocam ou que provavelmente nunca tocaram na rádio, salvo algumas exceções. A chamada música “alternativa” para muitos, e música “brega” para outros muitos.

Do meu ponto de vista, elas não são nada disso. Pelo contrário, são músicas construtivas, com bons textos e engenhosas poesias, bem tocadas, bem arranjadas e que, naturalmente, fogem dos padrões que as rádios procuram. Músicas de dez minutos que não repetem letra e que não tem refrão também são música boa! Aí muita gente diz: “pô, que droga chata!”. Repito, é o meu ponto de vista. E é também um estilo que eu aprecio ouvir e me inspira. Eu inclusive, gosto de fazer músicas sem refrão. E percebi isso muito sem querer. Fui gravar num estúdio certa vez, e na hora de montar a forma, o produtor queria mudar uma estrofe de lugar para parecer um refrão. Eu falei: “mas ela é assim, não repete”. O cara rebateu: “ah, mas é bom ter né, pra todo mundo cantar junto e tal…” E ai fizemos duas versões, a com e a sem refrão. Nem preciso dizer a que eu gostei menos…

Não crio músicas pensando em gravá-las. Eu simplesmente tenho algo a dizer e digo. E gosto quando elas têm uma estrutura diversa, justamente porque é diferente. Não lembra “aquela” ou “aquela outra” canção. O que ouço quando me atrevo a sintonizar uma estação de rádio qualquer, é uma série de músicas repetitivas. Claro que temos que compreender que as notas ao total são apenas sete. Mas os recursos são ilimitados e como um quebra-cabeça, é possível compô-las de inúmeras formas. Temos excelentes exemplos de compositores em nossa história musical que fizeram e fazem isso muito bem, como Chico Buarque e Milton Nascimento, entre tantos, que como exemplo de músicas, cito “Primeiro de Maio” e “Conversando no Bar”, esta última interpretada brilhantemente por Elis Regina. Quanto ao texto, o escritor Oscar Wilde dizia: “para escrever só existem duas regras: ter algo a dizer e dizê-lo”. Já quanto ao sucesso, isso é o que menos deve preocupar o artista.

Acredito que a arte não deve ter moldes comerciais porque arte não é comércio. Arte não pode atender a demandas, porque arte não é um produto fabricado em série, como quer nos convencer nossa mídia atual que fabrica tudo: novelas, notícias, celebridades, artistas… A arte é livre e natural. E, sob o meu olhar, a música é a manifestação de arte mais nobre e mais tocante que dispomos. Ela é a expressão do nosso pensamento filosófico, nossa reflexão sobre nós mesmos e sobre o mundo. E por isso, deve ter a forma e o tempo que precisar para ser.

Tacy de Campos é cantora e compositora.