A expectativa não era boa. Na verdade, era a pior possível. Desde que o canal americano NBC anunciou os primeiros detalhes de “Peter Pan Live!”, os americanos estavam prontos para odiar o programa, que foi ao ar na quinta (4/12). Então, o resultado foi satisfatório: cenários não caíram, ninguém desafinou assustadoramente, e os fios que faziam os atores voarem não arrebentaram (mas foram vistos claramente, o que incomodou muitos telespectadores). Como disse o site da revista Entertainment Weekly, “algo incrível aconteceu. ‘Peter Pan Live!’ não foi um fracasso épico. Foi algo muito mais chocante para o público americano. Foi… bom”.

Atriz Allison Williams deu vida ao Peter Pan (Foto: Divulgação)
Atriz Allison Williams deu vida ao Peter Pan (Foto: Divulgação)

Aos brasileiros, cabe uma explicação. A NBC está investindo em teatro televisionado. No ano passado, montaram o “The Sound of Music Live!” (A Noviça Rebelde), com a cantora Carrie Underwood no papel principal. Como em um musical teatral, o programa acontece ao vivo, com três horas de duração, sujeito a todo e qualquer erro, embora seja sempre uma grande produção. É um evento televisivo na programação. Neste ano, o canal escolheu montar “Peter Pan”, com a atriz Allison Williams (da série “Girls”) como protagonista e Christopher Walken (vencedor do Oscar por “O Franco Atirador”) como Capitão Gancho. A audiência não foi tão alta quanto de “The Sound of Music”, mas garantiu a liderança para a emissora (excluindo a transmissão do jogo de futebol americano) e aumentou os números de uma quinta-feira.

Como o teatro televisionado estava fora de uso há 50 anos, a NBC está conseguindo chamar a atenção com o projeto. “Peter Pan Live”, baseado na peça de J. M. Barrie, trouxe as músicas conhecidas – “Never Never Land”, “I Won’t Grow Up” e “I’m Flying” – e duas inéditas, escritas por Amanda Green, filha de um dos compositores originais de “Peter Pan”, Adolph Green. As críticas ficam justamente quanto à adequação do teatro televisionado ao século XXI. Cabe? O Washington Post escreveu: “a maneira indelicada como a TV de alta definição claramente mostra a maquiagem borrada e os fios cruciais para levantar no alto Peter e seus amigos… qual o objetivo aqui, exatamente? Nos levar de volta a 1955?”.

(Foto: Divulgação)
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Mas, desconsiderando os fundamentos do projeto, e analisando seu desempenho, as críticas foram favoráveis. O Hollywood Reporter destacou que Allison Williams apresentou uma interpretação sólida e soube lidar bem com os imprevistos e problemas típicos do ao vivo. “Ela provou que podia cantar, atuar e se pavonear com as luzes vermelhas das câmeras lembrando-a que não haveria outros takes”. Outros sites concordam que ela sabe cantar, mas algum discordam quanto à sua escalação para o papel de um menino. Dizem que não convenceu. Não pelo sexo (outras atrizes já viveram o personagem), mas por sua habilidade mesmo.

Capitão Gancho foi algo a parte. Houve quem amou e quem odiou a interpretação de Christopher Walken. A agência Associated Press escreveu que ele parecia estar em um esquete ruim do humorístico “Saturday Night Live”. Já o Hollywood Reporter disse que “ninguém pode subestimar o efeito Walken” e que o ator, com seu comportamento estranho, se saiu bem no caos e fez o programa funcionar.

O fato é que está todo mundo comentando o especial de TV, que levou teatro para um público de 9,2 milhões de espectadores americanos. Vídeos de alguns trechos do espetáculo estão disponíveis no Youtube. Assista à lista de reprodução: