No drama ou na comédia, Daniel Rocha é presença confirmada no horário nobre da TV e do teatro

O ator Daniel Rocha (de “Amigos, Amigos, Amores à Parte”), uma das estrelas do espetáculo “A História dos Amantes”, dirigido por Marcelo Serrado (“É o Que Temos pra Hoje!”), recebeu o Teatro em Cena para um papo no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói, onde a peça foi apresentada pela primeira vez. Muito receptivo, e com uma simpatia natural, logo encaminhou a equipe até o camarim, para iniciar a entrevista.

Daniel Rocha no camarim de "A História dos Amantes" em Niterói. (Foto: Priscilla Campos)

Daniel Rocha no camarim de “A História dos Amantes” em Niterói. (Foto: Priscilla Campos)

Daniel, que é fã de Shakespeare, demonstra sua admiração por ele em vários momentos da conversa, citando-o como grande inspiração. O ator iniciou sua carreira artística no teatro, em São Paulo, mas se tornou famoso quando deixou sua cidade natal para interpretar seu primeiro papel na TV: o Roni da novela “Avenida Brasil” (Rede Globo). Estrear na TV, no canal líder de audiência, e em uma novela das 21h, não é para qualquer um. De uma hora para outra, Daniel passou de ator anônimo de teatro para intérprete de um dos personagens mais polêmicos do horário nobre. Além de uma grande responsabilidade em suas mãos, ele também teve que lidar com a fama instantânea e repentina. “Foi uma grande responsabilidade, mas espero que venham muitas [novelas das 21h]”, ri. “Lidar com a fama é muito louco. Eu entrei em ‘Avenida Brasil’ e, em dois meses, não podia nem sair na rua. É uma loucura, mas faz parte da vida do ator”.

Após “Avenida Brasil”, Daniel voltou aos palcos com a peça “Amigas Pero no Mucho” – mas teve que deixar o espetáculo para integrar o elenco de “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco. Mais uma novela das 21h para o seu currículo, e dessa vez ele não precisou passar por testes. Daniel foi convidado para dar vida ao Dr. Rogério. Dali em diante, só fez trabalhos a convite. Não há como negar: além de talentoso, é um cara de sorte, com duas novelas das 21h seguidas, no início da carreira. Questionado sobre a suposta vaidade que poderia existir devido a esses fatos, ele responde: “Acho que o ator é vaidoso. Só temos que tomar cuidado para essa vaidade não tirar nossos pés do chão. Tive muita sorte, e só tenho a agradecer. Mas a vaidade do ator não pode estar acima da nossa humildade”.

Com Isis Valverde em "Avenida Brasil". (Foto: TV GLOBO / Raphael Dias)

Com Isis Valverde em “Avenida Brasil”. (Foto: TV GLOBO / Raphael Dias)

Ele viveu um drama em “Amor à Vida” e logo após embarcou em uma comédia em “A História dos Amantes”. Uma mudança de gênero bem drástica, mas que não assusta Daniel. “Trabalhar com comédia é superdivertido, é um playground, além de eu estar trabalhando com grandes irmãos [os atores Anderson Di Rizzi e Hugo Bonemer], especificamente nessa peca. Você se solta. Amo trabalhar com os dois gêneros. São coisas diferentes e maravilhosas de se fazer”. Como público, no entanto, ele demonstra sua preferência. “Eu amo Shakespeare, amo drama. Acho que, para aprender, é algo mais profundo. Acho que assisto mais drama. Mas amo assistir comédia: Marilyn Monroe e Chaplin são fantásticos”.

:: Leia a resenha de “A História dos Amantes”.

Na peca, os atores representam mulheres em alguns momentos, o que ele considera um grande desafio. “Mostrar verdade na interpretação é um desafio. Temos que fazer com credibilidade. Não é fácil. Mas tem sido uma superação”. Outra curiosidade do espetáculo é que ele marca a estreia do Marcelo Serrado (“É o Que Temos Para Hoje”) como dramaturgo e diretor. Para Daniel, é uma honra fazer parte desse momento. “É maravilhoso trabalhar com ele. É supertranquilo, nos motiva e acredita que podemos chegar lá. Muito bom trabalhar entre irmãos”.

Hugo Bonemer, Daniel Rocha e Anderson Di Rizzi em "A História dos Amantes". (Foto: Divulgação)

Hugo Bonemer, Daniel Rocha e Anderson Di Rizzi em “A História dos Amantes”. (Foto: Divulgação)

Músico, Daniel toca violino há 14 anos, e tem a oportunidade de mostrar um pouco do seu lado musical no espetáculo, já que a peca tem uma relação bem estreita com a música. Mas não é exatamente algo fácil. Mesmo com intimidade com o instrumento, ele explica que a proposta é diferente. “Sempre trabalhei com partitura, estudando… Aqui, fui desafiado pelo nosso maestro a simplesmente executar, sem partitura, sem olhar nada. Então é um grande desafio – e mega gratificante, por estar dando certo”.

Como ator, Daniel se acha muito novo e inexperiente para realizar o que tem como objetivo na carreira. Mas confessa que almeja representar uma grande obra, de alguém que ele admira muito no cenário artístico. Shakespeare? Não revela. Muito consciente e com muita sede de crescer, ele diz apenas que tem muito a aprender, e que um dia quer ajudar o Brasil a ganhar um prêmio internacional. Sonha que o país receba o reconhecimento merecido dentro da arte. “Quando pararem de roubar a gente, e se eu estiver fazendo parte disso… Nossa! Será algo muito maravilhoso, muito gratificante como ator”.

Jovem, bonito, talentoso, e sortudo, Daniel acredita que beleza pode abrir portas sim. Mas o que mantém realmente um ator no êxito é seu talento, seu esforço e seu estudo. É assim que ele vem procurando manter o patamar alto em sua carreira. Além de estar em turnê pelo Brasil com “A História dos Amantes”, o ator acaba de ser confirmado no elenco da próxima novela das 21h, de Aguinaldo Silva, chamada “Falso Brilhante”. Será a terceira novela do ator, e mais uma vez em horário nobre. Sorte de principiante ou não, parece que Daniel Rocha veio para ficar.

*As próximas paradas do espetáculo serão em Campinas, nos dias 10 e 11 de maio, e em Curitiba, nos dias 17 e 18.