Peter Kürten, assassino em sério alemão (Foto: Reprodução)

Conhecido como “o vampiro de Düsseldorf” ou “o monstro de Düsseldorf”, o serial killer alemão Peter Kürten não deixou saudades. Foi condenado à morte em 1931, quando tinha 48 anos e um histórico de horrores. Estuprou e matou homens, mulheres e animais, desenvolvendo verdadeiro fascínio por sangue. Chegou a tentar bebê-lo. Seu cérebro foi estudado por cientistas e está exposto até hoje em um museu. Kürten é tema do espetáculo “Normal”, que chega a reta final de sua temporada na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, com sessões terças e quartas, até o dia 26 de junho. O personagem fica a cargo do ator Ricardo Soares (de “Raimunda, Raimunda”).

– Termino o espetáculo exausto! (risos) Exige uma frequência de energia bem diferente da minha. Tem uma pulsação acelerada. Estamos contando uma história com uma sequência de fatos que necessariamente precisam de ritmo para a sensação de avalancha que a peça proporciona. – ele diz ao Teatro em Cena – Os diferentes níveis de moral do ser humano são sempre grandes oportunidades para interpretações, no ofício do ator. Peter Kurten acaba se tornando um personagem com grandes possibilidades.

“Normal” (Foto: Pedro Murad)

A peça tem assinatura do dramaturgo escocês Anthony Neilson, conhecido por explorar o sexo e a violência em suas obras, e propõe um novo lugar para o serial killer. Na história, um advogado busca provar ao júri que Peter Kurten sofre de “desajuste social” e que seus crimes são frutos disso. A partir de descobertas sobre sua família, sua mulher e suas vítimas, monta-se um quebra-cabeça que convida o público a refletir sobre o ser humano em sociedade.

– Acho importante a proposta do advogado de provar que Peter é louco, porque isso permite ao público ir descobrindo junto com ele que a violência também existe dentro de nós, como é difícil lidarmos com ela e de olharmos para os desdobramentos dela. -comenta Ricardo Soares – Embora a vontade de levantar esse projeto já tenha três anos, e a oportunidade de realizá-lo surgiu esse ano, acho que a gestação do projeto de alguma forma “acompanhou” a progressão da violência em nosso país e no mundo. E o espetáculo nasce justamente no momento onde a discussão sobre a violência é o foco. E a peça possibilita essa reflexão de uma forma ampla: como surge essa violência? Qual é o starting? Como lidar com ela? De que forma podemos, nós, sociedade, pará-la?

O espetáculo conta ainda com Fifo Benicasa (de “A Decisão”) e Nara Monteiro (de “Futebol, Paixão de Nelson Rodrigues”) no elenco e Luiz Furlanetto, vencedor do Prêmio Shell por “Trainspotting”, na direção. É uma produção independente, sem nenhum patrocínio. A época é difícil para artistas e o tema da peça não facilita em nada. “Diante de diversas tentativas de desmonte da cultura e educação, neste momento, ficou muito difícil encontrar empresas que se interessassem em investir num teatro que de alguma forma, vai além do entretenimento”, pontua Ricardo.

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SERVIÇO: ter e qua, 19h. R$ 40. 90 min. Classificação: 14 anos. Até 26 de junho. Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço Rogério Cardoso – Avenida Vieira Souto, 176 – Ipanema. Tel: 2332-2016.