(Foto: Divulgação)
Da esquerda para direita: Rodolfo Abritta, Gabriel Leone, Júlio Oliveira, Vitor Thiré e Felipe Frazão (Foto: Divulgação)

O espetáculo “Garotos” ganhou uma remontagem, com elenco diferente, e mesmos diretores (Leandro Goulart e Afra Gomes, de “Pout-PourRir”). Desta vez, os garotos do título são Felipe Frazão (de “GIZ”), Gabriel Leone (de “Rapsódia – O Musical”), Júlio Oliveira (de “Gangorra”), Rodolfo Abritta (de “É Você Que Eu Amo”) e Vitor Thiré (de “Deu Branco – Comédia Improvisada”). Eles dão conta de encenar a trajetória de um rapaz, dos seus oito aos 28 anos, com todas as experiências comuns à adolescência e ao início da vida adulta. Sexo, drogas e rock ‘n roll estão todos presentes.

O texto é inspirado no diário pessoal do Leandro Goulart e, inegavelmente, remete à peça “Meninos e Meninas”, outro trabalho dele em cartaz. Há cenas muito parecidas, como a da primeira experiência com morte (em ambos os casos, da avó), e o conceito de ambos os espetáculos é o mesmo. “Garotos”, em todo caso, existe desde 2009, então, aqui, assiste-se à ideia original. Além disso, esta peça tem movimentos e diálogos mais explícitos, comuns à masculinidade. A presença das “meninas”, na outra peça, proporciona delicadeza, o que não cabe aqui. O roteiro é bom e certeiro, amplo na medida certa.

Felipe Frazão: um dos novos garotos (Foto: Divulgação)
Felipe Frazão: um dos novos garotos (Foto: Divulgação)

O elenco está afiado e harmônico. Os cinco atores estão muito bem ensaiados, sem espaço para falhas. Todos são competentes, mas é possível destacar Felipe Frazão, que tem o melhor timing de comédia, e o melhor canto. Porque tem isso: eles arriscam uma cantoria. As cenas são intermediadas por músicas de diferentes estilos e épocas, tocadas no violão por Gabriel Leone. Não são todos que cantam (bem), mas enganam e não comprometem. Como dito, estão muito bem ensaiados. A direção musical é Wagner Monaco, que merece os créditos.

“Garotos” têm vários bons momentos, e os melhores são os menos monologados, hilários. Exemplos são a primeira transa, protagonizada por Júlio Oliveira; as cenas em que o elenco dá vida a mulheres; e o esquete da gravidez acidental, com todos os meninos engravidando a mesma menina. Vitor Thiré está especialmente bem nesta última.

Gabriel Leone e Júlio Oliveira na cena da primeira vez (Foto: Divulgação)
Gabriel Leone e Júlio Oliveira na cena da primeira vez (Foto: Divulgação)

No início da peça, nota-se o ritmo empregado pela direção de Leandro e Afra: veloz, até corrido. A intenção é compreendida – jovens têm o ritmo acelerado, virtual, cibernético – mas em alguns momentos os atores falam tão rápido que é difícil entendê-los. A dicção tem que ser priorizada em detrimento de qualquer corrida contra o tempo. Depois, desacelera-se um pouco, e o espetáculo ganha em comunicação. Na maior parte da peça, há essa velocidade agradável, com diferentes temas indo e vindo, como esquetes independentes, mas integrantes de um mesmo painel maior. Algo parecido com “Confissões de Adolescente”, que é uma referência assumida.

Assinado pelo próprio Leandro Goulart, o cenário é ótimo, e uma dos primeiros elementos a chamar a atenção da plateia. Há almofadas coloridas espalhadas no fundo e nas extremidades do palco. Mas o mais legal é o painel com recortes de imagens miscelâneas, esteticamente bonito e moderno. Inteligentemente, os figurinos de Clara Magdalena investem em tons neutros – casuais e eficazes. No geral, a peça é uma boa pedida para o público jovem, e para os saudosos da adolescência.

A temporada vai até o dia 27, com sessões de quinta a sábado às 21h e domingo às 20h30, no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea. Os ingressos custam R$ 70 e a classificação indicativa é de 14 anos.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.