Se duas horinhas já deixa muita gente se mexendo na poltrona do teatro, o que dizer de “A Tragédia Latino-Americana”? O novo espetáculo do diretor Felipe Hirsch (de “Puzzle”) tem quatro horas de duração, divididas em dois atos. Descrita como “uma espécie de ópera macabra ou musical farrista”, a peça estreia em março no Sesc Consolação, em São Paulo, ainda sem data anunciada para chegar ao Rio de Janeiro.

Caco Ciocler em ensaio (Foto: Reprodução / Instagram)
Caco Ciocler em ensaio (Foto: Reprodução / Instagram)

Com Caco Ciocler (de “Caesar”), Júlia Lemmertz (de “Deus da Carnificina”), Guilherme Weber (de “Azul Resplendor”) e Danilo Grangheia (de “Krum”) no elenco, o espetáculo é composto por fragmentos, adaptações e trechos de obras de escritores latino-americanos. Para costurar os textos, há canções compostas por Arthur de Faria, que assina a direção musical. A peça é apenas a primeira parte de um projeto de Felipe Hirsch, que havia feito algo parecido com o quadríptico “Puzzle”. Neste caso, a segunda parte será “A Comédia Latino-Americana”.

Quanto à duração, que chama a atenção inegavelmente, ela é necessária para comportar a quantidade de autores selecionados por Hirsch: são mais de 20. Volta e meia, aparecem espetáculos com durações que propõe um desafio ao interesse e à concentração do espectador. Fora os musicais que chegam a três horas com facilidade, isso acontece também em outros formatos. No ano passado, os cariocas puderam ver “O Duelo”, de Anton Tchekhov, encenado por Georgette Fadel (que está no elenco da peça de Hirsch) com 3h20, por exemplo. No próprio projeto “Puzzle”, o segundo espetáculo, “Puzzle B”, era apresentado ao longo de três horas. A quadrilogia completa totalizava quase oito horas.