Ingressos esgotados em apenas um dia, transmissão ao vivo e gratuita em dois telões do lado de fora,filas enormes, estrutura de show de diva e gargalhadas infinitas da plateia. Assim foi a estreia de “220 volts”, a nova peça de Paulo Gustavo (de “Hiperativo”), no Teatro Popular Oscar Niemeyer em Niterói. Com o fim do programa exibido pelo Multishow, a proposta do novo espetáculo de um dos maiores comediantes do momento é levar ao teatro um pouco dos personagens mais queridos. Só há um pequeno detalhe: apenas personagens femininas.

Paulo Gustavo em cena de "220 Volts". (Foto: Aline Cler)
Paulo Gustavo em cena de “220 Volts”. (Foto: Aline Cler)

Com roteiro do próprio Paulo Gustavo, “220 Volts” chega aos palcos seguindo a mesma linha do programa, mas não deixa de ser surpreendente e inovador. São seis esquetes com seis mulheres diferentes, que são respectivamente: “A Famosa”, “A Feia”, “Senhora dos Absurdos”, “Vagaba”, “Apresentadora do programa de culinária” e “Ivonete, a negona”. O elenco também conta com Christian Monassa (de “Malhação”) e Gil Coelho (de “Mulheres Solteiras Procuram”), que interpretam pequenos papeis; seis bailarinos sensacionais; e o parceiro de longa data do Paulo Gustavo, Marcus Majella (de “Dorotéia”), que conduz o espetáculo de forma natural e com seu talento humorístico indiscutível, fazendo com que o público se sinta “em casa”. São os dançarinos, no entanto, um dos pontos altos da peça, dando um toque especialíssimo ao espetáculo, com números extasiantes e coreografias impecáveis de Dudu Pacheco.

Quando a peça inicia, o público já está completamente na “vibe” proposta , já que antes há um DJ, luzes de boate, e dançarinos espalhados pelo teatro, estabelecendo um clima de balada. “220 volts” já começa arrepiando e arrancando gritos da plateia. Isso mesmo: gritos no teatro, pois se fechássemos os olhos, teríamos a certeza de estar em um show. E não há palavra melhor para descrever a peça do início ao fim: é um verdadeiro show, no melhor sentido da palavra. Paulo Gustavo surge no palco como uma verdadeira diva, e o público vai à loucura. O início da peça é marcado pela performance dele, como “A Famosa”, e seus bailarinos, dançando “Run The World (Girls)”, da Beyoncé – um número para deixar qualquer um de boca aberta. Paulo Gustavo prova que, entre seus inúmeros talentos, um dos maiores é a dança. Se houve alguma falha, passou sem que notássemos, pois aos olhos do público a performance foi impecável e com gostinho de quero mais.

Os vários figurinos e personagens femininos de Paulo Gustavo. (Fotos: Aline Cler)
Os vários figurinos e personagens femininos de Paulo Gustavo. (Fotos: Aline Cler)

Para um espetáculo com um início tão impactante, é uma tarefa difícil manter o ritmo até o fim sem deixar a energia cair. O ato seguinte precisa superar ou acompanhar o que a plateia já viu. Difícil? Não para o intérprete da “Senhora dos Absurdos” e seu elenco. A energia da peça só sobe, e assim se mantém até a última cena. É impressionante a capacidade que o ator Paulo Gustavo tem de permanecer no personagem até o momento necessário , sem perder seus trejeitos e características, um dos pontos pelo qual merece todo sucesso que tem vivido durante sua carreira.

Entretenimento puro e de muito bom gosto! A peça é um verdadeiro espetáculo, dos cenários do Abel Gomes até os bailarinos. A cada esquete, as gargalhadas aumentam, e a interação com o público é constante. Dá gosto ver o entrosamento do elenco, que aproveita esse clima para improvisações naturais sem perder o foco central do texto. “220 volts” mantém o público vidrado durante os 60 minutos de duração. Pode-se prever que a peça é mais um projeto de sucesso garantido e merecido e, pelo visto na estreia, seguirá a tradição, batendo recordes de bilheteria Brasil afora.

Quem estava com saudade da Senhora dos Absurdos? (Foto: Aline Cler)
Quem estava com saudade da Senhora dos Absurdos? (Foto: Aline Cler)

Depois da estreia em Niterói, “220 Volts” passará por Maceió, Recife, Natal, Aracaju, Goiânia, Porto Alegre e Novo Hamburgo. Em 25 de julho, começará sua temporada fixa no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro. Para aqueles que apreciam uma boa comédia e uma superprodução, vale muito a pena conferir.

Por Priscilla Campos
Atriz, cantora e estudante de Comunicação Social.