Nada de milhões de reais para fazer publicidade de cerveja, vestidos deslumbrantes em tapetes vermelhos, fotos em capas de revistas ou assistentes para fazer as suas vontades. Engana-se quem pensa que a vida de (todo) artista é assim. Principalmente em início de carreira. É comum os iniciantes ouvirem dos amigos e familiares aquela perguntinha irritante: “quando vou te ver na TV?”. O mundo artístico, de fato, é cheio de fantasias no imaginário popular. “Além da Coxia”, novo espetáculo de Ruan Calheiros (de “Formô”), em cartaz no Teatro Henriqueta Brieba, no Tijuca Tênis Clube, revela o lado que pouca gente vê: da dureza e da labuta. “Nós mostramos a vida por trás do glamour”, conta o dramaturgo e diretor. “São situações e questões que os atores irão se identificar e o público leigo sempre quis saber”.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

A história se passa em uma república de artistas e aborda, com humor, os bastidores desse universo – os testes, as batalhas, os sonhos, os preconceitos, as injustiças, as brigas. Co-autor do texto com Pedro Mônaco, Ruan compartilhou alguns dos seu próprios questionamentos e dúvidas na peça. “Por exemplo, aceitar alguns trabalhos vestidos de bicho de pelúcia para poder ganhar dinheiro”, aponta ao Teatro em Cena. “Não que seja muito [dinheiro], mas ajuda a se manter na carreira, que exige muita dedicação e nem sempre o retorno, principalmente financeiro, é a altura dos sacrifícios”. É o que não sai nas revistas.

Histórias no elenco não faltam. Dos oito atores em cena, três vieram de longe tentar a carreira no Rio de Janeiro, o que obviamente já envolve alguns perrengues. João Acioli, formado em Jornalismo, se mudou de Maceió para a cidade em busca do seu sonho. Deixou para trás a estabilidade familiar. Pablo Sant’Anna, idem: saiu do Recife para o Rio de um dia para o outro, para participar da Escola de Dança Jaime Arôxa. Jhenifer Emerick, outra migrante: deixou a família no Mato Grosso pra tentar a sorte no Rio. Todos foram escolhidos por meio de testes, o que já é uma vitória em cada jornada pessoal.

– A vida de artista, ao contrário do que pensa a grande massa, é muito distante do glamour e das facilidades. Para se chegar a esse estágio, precisa-se de muita dedicação, empenho, talento, vocação e às vezes um pouco de sorte. – opina Ruan Calheiros – Já presenciei muitos casos de pessoas que começaram a estudar ou tentar ingressar no meio artístico só visando fama e sucesso, e desistiram quando viram a verdadeira realidade da área.

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SERVIÇO: sex, 20h. R$ 40. Classificação: 12 anos. Até 29 de janeiro. Teatro Henriqueta Brieba – Tijuca Tênis Clube – Rua Conde de Bonfim, 451 – Tijuca. Tel: 3294-9300.