Polêmico, o espetáculo “Em Nome do Filho” mergulha no underground das saunas gays para contar a história de um drama familiar. Em cena, atores nus e seminus recriam “tipos característicos” desse tipo de ambiente: o debochado, o poderoso, o prático, o casado, o carente e, claro, os garotos de programa. “O submundo é sempre visto com muita curiosidade por todos nós. As pessoas que habitam esse submundo são mais ricas de sentimentos, transbordadas de emoção”, defende o autor e ator da peça Dolores Delrio (de “Dei a Elza em Você”) em entrevista ao Teatro em Cena. Para tirar a prova, o público pode comparecer no Espaço Cultural Correia Lima, no Catete, todos os sábados às 20h. Há ainda serviço de bar a partir das 19h15.

(Foto: Divulgação)
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O espetáculo entremeia números musicais e shows de dança para contar a história de Liuba, o dono de uma sauna gay decadente. Ele procura pelo filho Junio, retirado de sua convivência desde criança, até que um dia recebe uma carta informando-o que o garoto cresceu e trabalha ali mesmo, na sauna, como garoto de programa. Aproximando-o do rapaz para tentar retirá-lo daquela vida, Liuba acaba despertando o desespero de seu namorado, um ex-garoto de programa.

Segundo Dolores, a inspiração para a história veio de uma música de Moacyr Franco chamada “Eu Nunca Mais Vou Te Esquecer”. Ele queria escrever sobre uma grande história de amor e a canção deu o pontapé inicial. O universo da sauna gay veio em seguida, com toda a sensualidade iminente. “A nudez faz parte do contexto. Como a ação se passa em uma sauna gay, é natural que alguns personagens fiquem nus ou apenas de toalhas”, adianta. “Uma bela luz de cena valoriza a nudez e também a insinuação dela”. As fotos de divulgação que ilustrem essa matéria são algumas prévias.

O resultado tem atraído, claro, o público gay. Dirigido por Marco Miranda (de “O Capim e as Maravilhas do Jardim”), “Em Nome do Filho” teve uma temporada de três meses no Centro Cultural Dejair Cardoso e Dolores confirma que havia grande frequência de gays masculinos, curiosos pela sinopse. “Mas, no geral, a peça agrada e funciona muito com héteros ou homossexuais. O público nos prestigiou bastante”, ressalta o idealizador, que também assina a produção. O espetáculo fica em cartaz até 18 de junho.

(Foto: Divulgação)
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SERVIÇO: sáb, 20h. R$ 40. 75 min. Classificação: 18 anos. Até 18 de junho. Espaço Cultural Correia Lima – Rua Bento Lisboa, 58 – Catete. Tel: 2558-1550.