“Interação com a plateia” vem ganhando um novo significado no teatro nos últimos anos. Pânico de muito espectador, que odeia se sentir exposto, o termo se atualizou e digitalizou. Agora a interação é via smartphone e Wi-Fi. É o caso do espetáculo “Ex.troll.gênio”, ainda em fase de captação de recursos. Escrito e dirigido por Vida Oliveira (de “In.com.pa.tí.veis”), ele pretende colocar o público na função de co-autor, definindo os rumos da história. A encenação será conduzida com base na votação dos espectadores por meio de uma intranet, decidindo passo a passo da história, e principalmente seu desfecho.

ex troll genio

Essa é a terceira peça-game de Vida, que pesquisa o gênero academicamente. Sua inspiração é a autora Janet Murray, que é uma das maiores pensadoras sobre games e interatividade. A partir do conceito de que essa geração “não pensa mais em linha reta”, valoriza-a a interação e a co-autoria, reformulando os formatos tradicionais de contemplação.

– Quando comecei a testar o formato, fui uma das primeiras, em 2011, não imaginava que eu mesma fosse criar outras peças, nem que outras pessoas fossem fazer, mas já rolou em São Paulo, aqui no Rio e também na Bahia e acredito que tem tudo pra acontecer cada vez mais. Porque chama público e porque o público se identifica quando começa a assistir. – a dramaturga e pesquisadora explica ao Teatro em Cena – A gente fala de questões próximas dos jovens de hoje, todo mundo usa internet, rede social e tem pelo menos um game no smartphone. Então acredito mesmo que possa virar uma nova tendência, que mais gente possa fazer. To escrevendo a minha dissertação sobre isso e para isso. Lá relato minhas práticas, com problemas e soluções possíveis para que vire material teórico e sirva a quem quiser usar e montar sua própria peça-game.

O artifício tem tudo a ver com o tema da peça: a posição da mulher nas redes sociais. Vida se questionou sobre a feminilidade dentro do ambiente online e sobre os limites entre o virtual e o real, tratando de questões como direito das mulheres, igualdade de gêneros e relações afetivas. Na história, uma jornalista manda um vídeo para o namorado e, dois anos depois de terminarem, ele vaza na Internet. No elenco, também, só mulheres: Brisa Rodrigues (de “In.com.pa.tí.veis”), Camila Linhares (de “Copacabana Mix”) e Patricia Oliveira.

Para viabilizar o espetáculo interativo, a produção abriu um projeto de financiamento coletivo no site Benfeitoria. A meta é arrecadar R$ 15 mil até o dia 31, mediante troca de recompensas para os apoiadores. Para contribuir, clique aqui.