A questão da meia-entrada em eventos culturais virou tema de um vídeo do Porta dos Fundos, estrelado por Luis Lobianco (de “Portátil”) e Júlia Rabello (de “Atreva-se”). No esquete satírico, com mais de 890 mil visualizações em 24 horas, o cliente de um cinema é chamado de “otário” pela recepcionista por pagar a inteira em vez da meia. Ela, inclusive, exige que ele comprove que não é um dos beneficiários da meia-entrada. Na descrição, o grupo esclarece: “Programas culturais são caros no Brasil. Ir ao cinema, teatro ou um show pode acabar com o seu orçamento. Mas se você for estudante, ex-combatente, idoso, gestante, canhoto, usa boné, ateu, religioso, homem, mulher, alienígena, ser humano, estar respirando e souber emitir um som, não se preocupe, pois você só paga meia-entrada”.

A piada representa uma reclamação da comunidade artística. Antonio Fagundes, por exemplo, declarou recentemente que “políticos populistas passaram a usar o chapéu alheio para ganhar apoio”. O que acontece é que a política governamental não arca com os custos do artifício. Quem paga a outra metade da meia-entrada é o artista, que deixa de receber. Há ainda o fato conhecido de que pessoas sem direito ao benefício o utilizam, com carteirinhas falsas.

Desde abril, há mais uma novidade no Rio de Janeiro: o programa “Carioca Paga Meia”. Os servidores públicos, moradores e nascidos na cidade do Rio de Janeiro ganharam o direito de pagar meia-entrada em eventos que ocorram em espaços administrados pela Secretaria Municipal de Carioca.