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(Foto: Divulgação)
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Outro dia estava saindo de uma apresentação de “Frida y Diego”, peça de Maria Adelaide Amaral, com direção de Eduardo Figueiredo, onde interpreto a pintora mexicana Frida Kahlo; e me perguntaram o que eu achava sobre preconceito, uma vez que Frida foi grande defensora dos direito humanos.

Respondi que, infelizmente, ainda hoje, em pleno começo de era de aquário, ainda existem muitos preconceitos, e, o que é pior, inconsciência de que somos todos da mesma raça: a humana.

Como quem me perguntou era uma estudante de teatro, pedi que ela imaginasse o absurdo que seria negar-se a interpretar uma personagem por ser rica ou pobre, branca, preta, índia, dourada, cristã, protestante, budista, umbandista, americana, chinesa, árabe ou judia. Ou ainda, brasileira, uma vez que somos um país de mestiços. Deste ou daquele partido político, vítima ou culpada, puta ou santa. Considerando que exatamente nestas diferenças é que está a maior riqueza, a grande diversidade que inspira, ensina e embeleza a humanidade? O mundo seria muito chato e não existiria arte se fôssemos todos iguais….

Talvez seja romantismo de uma atriz, mas ainda acredito que a arte pode curar, através do amor por todas as possibilidades da condição humana, com erros, acertos, maravilhas e horrores, transformados em beleza para sua própria protagonista, a plateia. Esta pode se identificar, adorar, repudiar, aplaudir, ou, a pior da reações, ignorar.

Realmente, vivemos um tempo ainda de muita violência e ignorância, mas acredito, por mais simples que pareça, que se cada a um de nós fizer sua parte, seja através da conscientização, das relações de afeto, da ação ou atuação pública, ainda podemos sonhar e viver num mundo mais humano, livre e pacífico.

Leona Cavali é atriz e está em cartaz com Frida y Diego no Teatro Maison de France.