A nova montagem de “Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia Que a Nossa” prova que o texto de Juca de Oliveira (de “Caixa 2”) ainda é atual. Com poucas mudanças, como atualizações para o universo de Whatsapp e “selfies” no celular, a trama se comunica com o público 14 anos depois de sua primeira montagem. Ainda que extremamente machista e o terror das feministas, a história provoca gargalhadas e identificação na plateia.

Victor Frade é o professor que ensina um manual de instruções de como mulheres devem se comportar para conquistar os homens. (Foto: Divulgação)
Victor Frade é o professor que ensina um manual de instruções de como mulheres devem se comportar para conquistar os homens. (Foto: Divulgação)

Para quem ainda não conhece, a peça acompanha a universitária Tati (Monique Alfradique, de “A Garota do Biquini Vermelho”), que termina o namoro com Marcelo (Marcos Nauer, de “Um Amigo Diferente?”) por causa de traições, descaso e pouco ou nenhum romantismo. Arrasada, ela se recolhe no auditório da faculdade para chorar, mas se depara com uma palestra do professor de Biologia Conrado (Victor Frade, “Quero Minha Mulher de Volta”), sobre uma aplicação do evolucionismo de Darwin aos relacionamentos entre homens e mulheres. Acreditando ter a fórmula do sucesso ao seu alcance, ela convence o mestre a ensiná-la como se comportar para que seu ex fique a seus pés. É aí que entra o machismo. Para ele, uma mulher não pode ligar para o cara que está interessada, só deve atender ligações no nono toque, nunca estar disponível imediatamente, nunca dar em cima… em outras palavras, ser totalmente passiva – e nada contemporânea. Mas funciona, ela reconquista o Marcelo, e também conquista o próprio professor.

A direção geral é assinada por Bibi Ferreira (de “As Encalhadas”), com Rafaela Amado (de “O Jardim Secreto”) e André Garolli (de “As Moças – O Último Beijo”) como assistentes. Eles conseguiram manter a dinâmica e o ritmo do texto, sem deixar a peça esfriar em nenhum momento. O elenco, também, está em sintonia e harmonia. Monique Alfradique se revela uma boa comediante, e tem boas cenas tanto com Marcos quanto com Victor. Marcos, particularmente, é hilário em seu personagem garanhão, burrinho e metido a esperto.

Marcos Nauer vive o ex-namorado cafajeste que Tati (Monique Alfradique) quer reconquistar. (Foto: Divulgação)
Marcos Nauer vive o ex-namorado cafajeste que Tati (Monique Alfradique) quer reconquistar. (Foto: Divulgação)

O cenário principal reproduz o apartamento de Thati, onde se passa a maior parte da trama. Mas há um entra e sai de parafernália que transforma o ambiente em outros, como um restaurante, uma boate ou uma rua. É um trabalho bonito e funcional de Renato Scripiliti e Natália Lana. Já os figurinos, de Bruno Perlato, caracterizam bem a personalidade de cada personagem.

“Qualquer Gato Vira-Lata…” certamente é uma boa pedida para quem quer rir despretensiosamente com um espetáculo leve. É essa a proposta. Não mais. A temporada vai até o dia 27 no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea, com sessões de quinta a sábado às 21h30 e domingo às 20h30. Os ingressos custam R$ 80 (quinta, sexta e domingo) e R$ 90 (sábado). A classificação indicativa é de 14 anos.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.