O ator e cantor Raul Veiga, de espetáculos como “7 – O Musical” e “Beatles Num Céu de Diamantes”, usou o Twitter para criticar a montagem do musical “O Fantasma da Ópera” no Brasil, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo. “É uma merda, e falsos diretores e péssimo elenco deveriam ter vergonha de pegar dinheiro público para fazer aquele lixo”, escreveu sem se importar em ser ofensivo, “se o presidente eleito Jair Bolsonaro cortar os incentivos fiscais dos musicais enlatados estará fazendo um grande favor à sociedade e à cultura brasileira. Musical enlatado pode ser qualquer coisa menos teatro…”.

Raul Veiga (à esquerda) critica “O Fantasma da Ópera”, montado pela T4F em São Paulo (Fotos: Divulgação)
(Foto: Reprodução /Twitter)

O premiadíssimo “O Fantasma da Ópera”, no original em inglês “The Phantom of the Opera”, estreou em 1986 em Londres, baseado no livro homônimo do francês Gaston Leroux. A história se passa no Paris Ópera House (atual Palais Garnier) e já rodou o mundo, sendo vista por mais de 140 milhões de pessoas. É o mais antigo musical em cartaz na Broadway, com mais de 12,8 mil apresentações em Nova York desde 1988. Em Londres, é o segundo musical local com mais tempo em cartaz, atrás apenas de “Les Misérables”.

A remontagem brasileira estreou em junho, protagonizada por Thiago Arancam e Lina Mendes, seguindo o padrão da franquia internacional. Um diretor americano esteve em São Paulo para se certificar de que tudo fique igual às montagens gringas.

Na ocasião da estreia, a atriz Camilla Amado (de “Electra”) também fez críticas à produção, após ver uma matéria sobre o musical no “Fantástico”. “O que tem de cultural em uma reprodução americana do espetáculo? O que justifica garantir esses valores milionários pela Lei [Rouanet]? Talvez a matéria comprada no ‘Fantástico’ justifica alguma parte desses gastos. Quanto custa o minuto no ‘Fantástico’? O restante é para a franquia, naturalmente. Só que são 28 milhões de renúncia fiscal. De imposto que deveria ser pago e é investido na produção. Quem ganha com tudo isso? Nós, artistas, não somos. (…) A população que embarcou nessa canoa furada de que os artistas mamam nas tetas da Lei precisa ser alertada para diferenciar uma coisa da outra. Isso, na verdade, só interessa a nós”, escreveu.

Camilla Amado. (Foto: Rafael Prevot)