Anderson Di Rizzi no camarim do Teatro Popular Oscar Niemeyer. (Foto: Priscilla Campos).
Anderson Di Rizzi no camarim do Teatro Popular Oscar Niemeyer. (Foto: Priscilla Campos).

Experimente jogar o nome do ator Anderson Di Rizzi no Google. O Teatro em Cena fez isso, e se deparou com todo tipo de conteúdo. Obviamente, há notícias sobre seu recente prêmio de Revelação no Melhores do Ano do “Domingão do Faustão”. Também há links sobre o fim da novela “Amor à Vida” e a despedida do Palhaço. Mas não para por aí. Ainda na primeira página dos resultados da busca, é possível saber que ele curtiu o trio do Chiclete com Banana no Carnaval de Salvador e prestigiou o desfile da Tufi Duek na São Paulo Fashion Week, em março. Material de arquivo também entrega suas fotos nu para uma revista gay (ele posou antes da fama e supostamente odeia falar sobre isso) e diz que ele fez novelas no México antes de estourar na TV Globo. Durante entrevista concedida nos bastidores da peça “A História dos Amantes”, pergunta-se: atuou mesmo em novela mexicana? “Não, imagina. Imagina…”, Anderson responde, com cara de quem não ouve essa pela primeira vez. A informação está disseminada na Internet, em diversas páginas. Não acredite em tudo que lê.

A história real é bem diferente, e talvez menos glamorosa. Anderson começou a carreira artística não na Televisa, mas na própria TV Globo – como figurante. Fez cursos de teatro e até promessa para Nossa Senhora Aparecida para ser bem sucedido profissionalmente. Realizado, jura que já pagou a promessa. Neste ano, foi eleito pelo público a revelação da televisão, embora já tivesse aparecido em “Morde & Assopra” (2011) e “Gabriela” (2012). “Novela das 21h tem um peso diferente”, ele explica. “É a massa assistindo. Abrange todo mundo. Isso impulsionou essa minha projeção. Em ‘Gabriela’, não era todo mundo que conseguia ver. Meus pais, por exemplo, sofriam. Minha mãe dorme 21h30 e tinha que acordar um pouco antes para assistir. Às vezes via só na Internet”.

O prêmio – que ele dedicou à mulher – é encarado assim: como reconhecimento de um trabalho de visibilidade. “Foi uma novela de sucesso e um personagem muito popular, que contracenava com uma atriz (Tatá Werneck) que deu super certo”. Anderson acredita que o troféu recebido é “um momento” que, apesar de prazeroso, pode ser passageiro. Por isso ele tem dois filmes para rodar neste ano, além de estar iniciando a turnê da peça “A História dos Amantes”, com Daniel Rocha (de “Amigos, Amigos, Amores à Parte”) e Hugo Bonemer (de “Rock in Rio – O Musical”). “Estou feliz de estar de volta ao teatro. Não podia deixar passar. Descanso depois. Sou novo e graças a Deus tenho saúde”, diz o ator de 35 anos. “Prefiro não descansar. Vamos embora!”.

Anderson Di Rizzi e Tatá Werneck como Carlito/Palhaço e Valdirene em "Amor à Vida". (Foto: Globo/João Miguel Júnior)
Anderson Di Rizzi e Tatá Werneck como Carlito/Palhaço e Valdirene em “Amor à Vida”. (Foto: Globo/João Miguel Júnior)

No espetáculo, ele novamente faz uma comédia, como na novela “Amor à Vida”. Acredita que o público, neste momento, gostaria de vê-lo nesse gênero. “Tem gente que vai ver não por causa do texto em si, mas para ver o ator que está na novela. A gente sabe disso, e também acha legal. É o momento de verem a gente mais de perto”, comenta. “Acho que o público que me conhece da TV não quer me ver fazendo uma coisa muito séria, então é legal me ver no teatro com algo engraçado”. Mas ele não se limita de forma alguma. Diz que interpretaria um psicopata, um marido com problemas com a mulher, um ex-presidiário ou um traficante de drogas. É ele que cita cada possível personagem, nesta ordem. Afinal, no passado, já fez “Antígona” e “Júlio César” no teatro. “Eu arrisco, cara. Gosto de errar. A gente acabou de fazer um curso na Globo, com um cara muito bom, e ele falou: tem que errar melhor. Você vai errar toda hora, mas pelo menos erre melhor. Tem que tentar e se arriscar”.

Em “A História dos Amantes”, que marca a estreia do Marcelo Serrado (de “É o Que Temos Pra Hoje”) na dramaturgia e direção, Anderson Di Rizzi, de fato, vive um marido com problemas com a mulher. Um problema sexual, que gera risadas na plateia: ele não consegue transar com ela grávida, porque acha que seu pênis vai machucar o bebê. Além disso, em momentos específicos, ele interpreta uma adúltera caipira e… um clitóris! “É um clitóris que foi para um caminho psicopata. Ela é meio maluca, meio doida e assusta as duas meninas que eles [Daniel e Hugo] fazem”, conta. Apelidada de Cli, ela também provoca as personagens dos outros atores a simularem seus orgasmos. “É over do over”, admite.

A cena do clitóris em "A História dos Amantes". (Foto: Divulgação)
A cena do clitóris em “A História dos Amantes”. (Foto: Divulgação)

Seis sessões já foram feitas, todas em Niterói. Houve um problema de logística, que impossibilitou a apresentação da peça em Lages, como estava marcado. Mas ela segue confirmada em Salvador (5 e 6 de abril) e Joinville (12 e 13 de abril). Depois, passará por Curitiba, Maceió, Porto Alegre, Brasília e Natal, além de ter temporadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Anderson está animado com a turnê, porque não faz uma há tempos. “As outras que fiz foram mais pesadas, porque não tínhamos essa produção que temos hoje. A gente via tudo, desde as passagens, e era tudo muito suado. Fico feliz de poder viajar e sentir o calor do público de cada cidade, com sua cultura e seu modo de ser”.

Para quem pretende ver a peça nas próximas paradas, o ator é direto: ela funciona e faz rir. As primeiras sessões, em Niterói, foram usadas principalmente para testar as piadas e fazer modificações. “A casa estava cheia e o público se divertiu. Até piadas que eu li e não achei a mínima graça fizeram o público rir. É muito doido. E aquilo que você achou que ia funcionar não funciona. São descobertas. Cada dia vem uma coisa diferente e você testa o tempo da piada, inverte coisas, descobre coisas corporais. Estamos nesse processo”, observa. “Converso muito com o Daniel e o Hugo: se a gente se divertir, fazendo com verdade, o público se diverte também”.