Muito se fala sobre as damas do teatro brasileiro – e você sabe muito bem quem são elas. Mas os palcos não são enaltecidos apenas por mulheres. O Rio de Janeiro vive um momento especial neste mês: estão em cartaz, simultaneamente, os atores Marco Nanini (com “Beije Minha Lápide”), Ney Latorraca (com “Entredentes”) e Juca de Oliveira (com “Rei Lear”). É até difícil escolher qual assistir primeiro.

Os três em cena (Fotos: Divulgação)
Os três em cena (Fotos: Divulgação)

Mas Nanini foi o primeiro a estrear. Com seu espetáculo novo, ele presta homenagem a Oscar Wilde, com uma trama fictícia, inspirada em fatos reais. Na história, ele interpreta um fã ardoroso do escritor, preso após quebrar a barreira de vidro que isola o túmulo no cemitério. Para este trabalho, convidou a diretora Bel Garcia (de “Conselho de Classe”), o dramaturgo Jô Bilac (também de “Conselho de Classe”) e os atores da Cia. Teatro Independente. Uma seleção significativa justo no ano em que terminou a série “A Grande Família”, na qual contracenou com os mesmos artistas por 14 anos. É momento de renovação.

Diferentemente, Ney Latorraca está nas mãos de amigos. Recuperado de um infecção hospitalar que o deixou inconsciente durante grande parte da internação, o ator faz seu retorno aos palcos com “Entredentes” – um texto escrito especialmente para ele. O projeto existe há anos, e o dramaturgo e diretor Gerald Thomas não parou de escrever nem quando o ator estava desacordado no hospital. Na trama, “Ney é uma espécie de ser mediúnico e meio judeu ortodoxo ‘homeless’, que se plantou no Muro das Lamentações”, explica o criador. “Eu escrevo para a pessoa, com as idiossincrasias que a pessoa tem”.

Juca de Oliveira, por sua vez, estreia nesta semana com uma obra conhecidíssima. Dos três, é o único que não está com um texto inédito. Mas é justificado: é “Rei Lear”, de William Shakespeare. “Meus professores costumavam dizer: quando quiserem saber algo sobre a trágica aventura do homem na Terra, leiam Shakespeare”, lembra. Nesta montagem, dirigida por Elias Andreato (de “Meu Deus!”), o diferencial é a transformação em espetáculo solo. Juca está sozinho em cena, interpretando seis personagens diferentes.

Nanini, Ney, Juca… ícones para todos os gostos. É certamente um momento ímpar na programação teatral carioca. Hora de se deleitar.

Serviço
BEIJE MINHA LÁPIDE – sex a dom, 19h. R$ 20. 80 min. Classificação: 16 anos. Até 26 de outubro. Teatro Dulcina – Rua Alcindo Guanabara, 17 – Cinelândia. Tel: 2240-4879.
ENTREDENTES – qui a dom, 19h. R$ 20. 90 min. Classificação: 16 anos. Até 2 de novembro. Teatro Sesc Ginástico – Avenida Graça Aranha, 187 – Centro. Tel: 2279-4027.
REI LEAR – qui a sáb, 19h; dom, 18h30. R$ 60 (qui e sex) e R$ 80 (sáb e dom). 60 min. Classificação: 14 anos. Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52, 2º piso – Gávea. Tel: 2239-1095.