O que esperar de uma peça com preço de superprodução, em cartaz em um teatro para superproduções? Não responda. Não é bem por aí. “Rita, o Musical” está mais para uma triste enganação. O espetáculo, que estreou na sexta (2/4) no Teatro Bradesco, na Barra da Tijuca, é desastroso – e não há adjetivo mais delicado para dizer isso. A peça, dirigida por Flávia Faria Lima, sofre de problemas técnicos primários, inaceitáveis para espectadores que pagaram até R$ 100 no ingresso (mais taxas). Parecia o primeiro ensaio geral. Nem as músicas da Rita Lee se pode elogiar, porque foram apresentadas sem a qualidade técnica necessária.

Parte do elenco da peça: Laura Lobo, Marcelo Ferrari, Lívia Dabarian e Miguel Arraes. (Foto: Leo Castro)
Parte do elenco da peça: Laura Lobo, Marcelo Ferrari, Lívia Dabarian e Miguel Arraes. (Foto: Leo Castro)

Os microfones falham do início ao fim, prejudicando números musicais inteiros e tornando inaudíveis alguns diálogos. A luz do Ricardo Formiga também é problemática, deixando introduções inteiras na escuridão, colocando holofotes com atraso nos atores em destaque, e não funcionando bem com o cenário (assinado pela diretora), que é pobre – com exceção do grafite digitalizado do Marcelo Mel, que é uma ideia original. Fora isso, ainda há o texto, obra da Flávia Faria Lima (com dramaturgia do Cleiton Morais, ator de “Dzi Croquettes”), que é arrastado e apresenta piadas forçadas e mastigadas, que não fazem rir. Idiotiza o espectador. A peça aborda o universo adolescente e basicamente gira em torno de um triângulo amoroso, com a mocinha dividida entre o bonzinho e o mauzinho.

Livia Dabarian é a protagonista Rita. (Foto: Leo Castro)
Livia Dabarian é a protagonista Rita. (Foto: Leo Castro)

É uma pena, porque o elenco é bom. Livia Dabarian (de “Gardel – Um Musical de Tangos”) tem uma voz doce e potente, que arranca elogios sempre que o microfone permite ouvi-la; Cristiana Pompeo (de “O Meu Sangue Ferve Por Você”) tem a veia cômica nata e consegue salvar suas cenas; e Victor Maia (de “O Meu Sangue Ferve Por Você”) é ágil em fazer todo o possível para que a peça siga adiante. Mas é lamentável perceber que ele tem que se aproximar da Laura Lobo (de “A Família Addams”) para que ela possa cantar no microfone dele.

Uma coisa salva, no entanto. Tinha tudo para dar errado, mas os dois telões laterais, que exibem mensagens enviadas ao vivo pela plateia via sms, se tornam um oásis no deserto. Vira um grande bate-papo entre os espectadores, que fazem todo tipo de comentário (TODO TIPO!), e divertem os demais. Na impossibilidade de ouvir o que os atores falam, a grande expectativa é pela próxima mensagem que alguém vai mandar. Se isso é teatro, não sei.

A peça fica em cartaz nos dias 3 e 4 de maio no Teatro Bradesco, respectivamente às 21h e 19h. Os ingressos variam entre R$ 80 e R$ 100.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.