Sucesso do teatro musical da década passada, “Constellation” está de volta, em remontagem dirigida por Jarbas Homem de Mello (de “Comunità”). O espetáculo se passa na década de 50 e conta a história de Regina Lúcia (Jullie, de “Tudo Por um Popstar”), uma jovem moradora de Copacabana, que se inscreve em um concurso da Rádio Nacional para conseguir uma passagem no voo inaugural do avião Constellation, rumo à Nova York. A história fictícia é inspirada no marco real da aviação brasileira, quando o voo da Varig encurtou de 72 para 20 horas o tempo de viagem do Rio à Big Apple, o que se refletiu claramente nos hábitos locais.

(Foto: Divulgação)
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A produção, assinada por Alina Lyra, é digna. Os figurinos (de Patrícia Muniz) são vintage e caricatos como pede o texto – tudo meio kitsch – e o cenário (de Natalia Lana) soluciona bem as variações de ambientação da história, com estruturas giratórias e um telão com projeções (belo trabalho do Studio Prime). Ele só não é pensado para o Teatro Vannucci especificamente, onde está em cartaz, porque os espectadores sentados nas poltronas laterais ficam com a visão cênica comprometida, parcial. Em algumas cenas, nada se vê. A dica é, então, só aceitar comprar ingressos para a coluna de poltronas centrais.

Na trilha sonora, apenas sucessos radiofônicos dos anos 50 – todos em inglês. São 16 músicas, como “Jambalaya”, “Only You”, “Stand By Me” e “Happy Day”. A direção musical de Beatriz De Luca e as coreografias de Vanessa Guillen resultam em números bem arranjados. Jullie, a protagonista, apresenta seu trabalho mais impressionante até hoje. Em um dueto com Marcio Louzada (de “Escola de Molières”), seu par romântico na trama, ela arranca aplausos antes do fim da canção. Franco Kuster (de “Dzi Croquettes em Bandália”), na pele de um playboy, também chama a atenção cantando. A cereja do bolo, porém, é Lovie (de “Quem Roubou a Páscoa?”), que interpreta sua mãe. Guardada para a parte final do musical, ela eleva o nível com sua performance vocal.

Andrea Veiga e Jullie em cena: tia e sobrinha (Foto: Divulgação)
Andrea Veiga e Jullie em cena: tia e sobrinha (Foto: Divulgação)

É importante destacar também a química entre Jullie, Lovie e Andrea Veiga (de “Carmem, o It Brasileiro”). Elas interpretam filha, mãe e tia, personagens que dividem apartamento, e constituem o trio condutor da trama. A personagem de Andrea, uma vedete cômica deslumbrada com a fama e riqueza alheias, é especialmente bem construída. O problema é que nenhuma das qualidades positivas da montagem apresentada esconde a fragilidade do texto de Claudio Magnavita (de “Comunità”). A dramaturgia é rasa e superficial, construída ao redor de hits que pouco contribuem para o enredo. A peça entretém, mas não justifica a remontagem.

SERVIÇO
Teatro Vannucci – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea.Tel: 2274-7246.
Dias e horários: quinta, sexta e sábado às 21h30 e domingo às 20h30.
Ingressos: quinta R$ 80; sexta R$ 90; sábado e domingo, R$ 100.
Duração: 120 min.
Classificação: livre.
Até 21 de dezembro.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.