(Foto: Divulgação)

Ruy Brissac está há mais de um ano em cartaz interpretando o vocalista Dinho (1971-1996), da banda Mamonas Assassinas, em “O Musical Mamonas”. A turnê ainda não tem data para terminar, mas o ator e cantor paulista já iniciou outro projeto: a produção de seu primeiro EP solo, com composições autorais. Ele apresentou o repertório no Teatro Augusta, em São Paulo, com um show intitulado “Em Construção”, no início de abril. Espera terminar as gravações em dois meses para poder lançar o material na Internet. Como o show, o EP também se chamará “Em Construção”, porque é assim que Ruy se sente nesta etapa da carreira:

– Estou construindo o “Ruy Brissac”. Dediquei-me muito aos trabalhos como ator, fiz vários personagens, o Dinho, enfim. O “Em Construção” é para eu me achar como Ruy Brissac. Na verdade, eu me perdi nesse tempo aí, e não me encontrava mais como cantor. Preciso pausar e construir o Ruy. – ele avalia, em entrevista ao Teatro em Cena – Estamos o tempo todo em construção, tomando decisões para onde ir, tendo dúvidas e tal. Nesse momento, decidi me construir realmente, construir o artista Ruy.

Antes da atuação, a música foi seu primeiro contato com o mundo artístico, ainda na infância: aos oito anos, cantava no coral da escola e da igreja. Aos 15, teve sua primeira banda de rock. Quando se mudou do interior para a capital de São Paulo, no entanto, dedicou-se ao teatro na Escola de Teatro Macunaíma e na Cia. Billy Bond. Antes de “O Musical Mamonas”, ele já estava focado em retornar sua atenção à música. Nem queria se inscrever para as audições do espetáculo. Mas os amigos o convenceram, ele mandou material, fez teste, passou, foi dirigido por José Possi Neto (de “Ghost, o Musical”), e acabou recebendo o Prêmio Bibi Ferreira de ator revelação. Tudo ótimo, mas suas composições guardadas estavam pedindo para serem utilizadas. Depois de um ano como Dinho, Ruy achou que chegou a hora de conciliar os projetos.

Ruy Brissac: protagonista de “O Musical Mamonas”
(Foto: Reprodução)

Dez músicas estão separadas, e foram apresentadas nesse show no Teatro Augusta. São canções que ele define como rock-pop. “É rock-pop porque tem mais do rock do que do pop. Tem muita influência do rock. Sempre ouvi rock, tive banda, ouvi muito rock clássico na minha adolescência, então o rock domina meus conhecimentos”, explica. Ele quer incluir cerca de cinco faixas no EP e lançar as outras aos poucos. Talvez colocar outras duas inéditas também. As composições tratam de liberdade, amor, decepções e “viver o agora”.

– Tem uma música que chama “Forma de Amor”, que trata de preconceito: não importa quem você ama, o que importa é amar, porque, se você ama, você é muito mais feliz. Com amor, você cria a felicidade. – destaca – Gosto muito também de “Gato Preto”, que eu me inspirei em um amigo meu. Gato Preto é um personagem, como se ele fosse um michê, tem as noites viradas, trabalha bastante… Cada uma me lembra coisas que aconteceram durante a vida, então tenho um carinho muito grande por todas.

As inspirações são diversas. Com facilidade para escrever, Ruy guarda todas as ideias que tem para utilizá-las em algum momento. “Tenho meu pianinho desde a adolescência. Gosto de sentar nele e sentir”. Por isso, acredita que as músicas representam muito bem o que ele estava sentindo em cada momento da vida. São todas muito pessoais, de alguma maneira.

– Muita gente me pergunta se vou levar as músicas dos Mamonas. Não. Eu canto os Mamonas, e vou cantar o resto da minha vida, porque está no meu coração, e acho incrível isso. Mas minhas músicas não têm nada a ver com as músicas dos Mamonas (risos). Eles foram únicos! Eu quero fazer o meu trabalho, um trabalho diferente. – conclui.

(Foto: Divulgação)