Tatsu Carvalho (de “Timon de Atenas”) reestreia “Um Estranho No Ninho” nesta semana, no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea. É a terceira temporada do espetáculo, protagonizado e produzido por ele, com investimento próprio. Uma vitória, depois de dois anos tentando vencer editais e captar patrocínio, sem sucesso. O êxito só veio depois da estreia, em março: com críticas positivas e sessões esgotadas. “Abracei o projeto, acreditei. A peça podia não acontecer. Tem todo um desgaste, mas eu sempre acreditei, e os atores sempre acreditaram”. O grande elenco (literalmente, porque são 16 atores em cena), em vez de um obstáculo para a viabilização do projeto, foi o que o tornou possível: aceitou receber apenas a bilheteria.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

– Não tem muitos espetáculos com grandes elencos justamente porque eleva o custo. Mas eu não tive um custo maior por causa disso, porque estou pagando da bilheteria. Claro, se fosse só um ator, seria um ator só para dividir bilheteria. Eu dividi a bilheteria entre esses atores. Mas são amigos, são atores com quem eu já tinha trabalhado, são pessoas que ajudam no que precisa. Teve momentos que precisava de um DVD, de uma televisão, de um cobertor, e alguém dizia “eu levo!”. Não é uma companhia, mas é quase, eu diria. – o ator conta ao Teatro em Cena, em entrevista pouco antes de um dos ensaios finais antes da reestreia – Só foi possível levantar a peça porque todos os atores e a equipe aceitaram ganhar da bilheteria, que acaba entrando, está dando um dinheiro, mas é muito abaixo do que todos mereciam ganhar.

“Um Estranho No Ninho”, texto de Dale Wasserman (de “O Homem de La Mancha”) baseado no livro “One Flew Over the Cuckoo’s Nest” de Ken Kesey, já passou pelo Centro Cultural Justiça Federal e pelo Teatro Poeira com sua montagem brasileira – dirigida por Bruce Gomlevsky (de “Timon de Atenas”). No total, foram 48 sessões até agora, com ingressos a R$ 30 na primeira temporada e a R$ 80 na segunda. Mas é no Teatro Vannucci que a peça poderá ter seu maior público. O CCJF e o Poeira acomodam menos de 150 espectadores por vez. O Vannucci, por sua vez, possibilita 395 pessoas por sessão, e serão 27 apresentações. De qualquer forma, Tatsu garante que já conseguiu recuperar o valor investido na produção.

– Sim, o investimento foi recuperado. Mas a cada nova temporada, você tem novos gastos. Independente do teatro cobrar aluguel ou não, você tem que investir em filipetas, operador de luz, operador de som, contrarregra, camareira. É uma série de outros gastos para chegar com a peça. – especifica o ator, que tem nas mãos um forte candidato a receber indicações a prêmios neste ano. Além da qualidade atestada por críticos especializados, a peça causou burburinho na cena carioca. – Eu não penso e nunca pensei em prêmio, até porque não sabia nem o que ia acontecer com a peça. Só tinha uma temporada no CCJF. Se for indicado, vai ser incrível e vou ficar super feliz. Se ganhar, vou ficar mais feliz ainda. Mas, sinceramente, nunca fiz peça pensando em prêmio. Para mim, o maior reconhecimento é esse sucesso todo de público. A gente está conseguindo encher teatro, o que é difícil.

Elenco de "Um Estranho no Ninho" reunido (Foto: Divulgção)
Elenco de “Um Estranho no Ninho” reunido (Foto: Divulgção)

Talvez o mais interessante é que o espetáculo atraia público fugindo das apostas mais seguras – comédias, stand ups, musicais. “Um Estranho No Ninho” é um drama ambientado em uma instituição psiquiátrica. Na história, o detento R.P. McMurphy (interpretado por Jack Nicholson no filme homônimo de 1975) finge ter problemas mentais para se livrar dos trabalhos braçais da cadeia e ser transferido para a internação. Na clínica, ele começa a ter problemas com a enfermeira-chefe, por questionar as regra severas e desafiar sua autoridade.

– Quando li esse texto, me identifiquei muito com o McMurphy, de não aceitar a imposição do que é normal, do que não é. Acho que não só eu me apaixonei, mas todo o elenco acabou se apaixonando. Hoje, é uma das peças que todo mundo ali no elenco mais gostou de ter feito. – ele conta – Acho esse texto atemporal, muito forte. Por isso o sucesso da montagem. Além de ter atores talentosíssimos e uma equipe talentosíssima, o texto é incrível. As pessoas se emocionam, se envolvem, em qualquer idade. A peça aconteceu e estamos aí na terceira temporada.

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SERVIÇO: sex e sáb, 21h30; dom, 20h30. R$ 90. 130 min. Classificação: 14 anos. Até 30 de agosto. Teatro Vannucci – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52, 3º piso – Gávea. Tel: 2274-7246.