Teatro de animação é interessante para crianças e adultos, diz diretor

Teatro de animação: o que é, de onde vem, como vive? Brincadeiras à parte, a Cia. Teatro Portátil tem todas as respostas. Comemorando seus dez anos de formação, ela traz de volta aos palcos cariocas o espetáculo “2 Números”, que faz temporada neste mês no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura, no Centro. Dividido em duas partes, ele primeiro traz os atores com máscaras manipulando um fio de algodão, como uma imensa “cama de gato”, e depois os mostra manipulando um boneco saído de uma caixa de papelão para conhecer o mundo. Toda a encenação acontece sem falas: é só música e movimentos. Diferente, não?

(Foto: Rodrigo Castro)

(Foto: Rodrigo Castro)

Para os quatro atores em cena, com certeza. Julia Schaeffer, Guilherme Miranda, Ana Moura e Laura de Castro (todos de “Bonitinha, Mas Ordinária”) exercitam outras possibilidades da interpretação ao assumir a manipulação. “Além de um preparo físico vigoroso e específico para o espetáculo, o ator-manipulador exercita a sua generosidade ao abrir mão de sua ‘presença’ protagonista para emprestá-la ao objeto que anima”, Guilherme pontua ao Teatro em Cena. “É uma harmonia conquistada com um trabalho muitas vezes lento, cansativo e gradual, mas que surte um efeito visível com a prática constante”.

Além desse carro-chefe – a animação e a figura do ator-manipulador – “2 Números” também tem outro trunfo: trilha sonora original. No segundo momento da encenação, com o boneco, a música faz uma alusão clara às trilhas de desenhos animados. O responsável é Felipe Trotta.

(Foto: Rodrigo Castro)

(Foto: Rodrigo Castro)

Resultado de uma pesquisa sobre a linguagem da animação, com inspiração na Cia. Philippe Genty, “2 Números” estreou em 2005 e já passou por mais de 50 cidades no Brasil e no exterior. Com essa peça, a companhia se apresentou em três festivais internacionais, em Cabo Verde e na Espanha. Ao longo do caminho, sofreu algumas mudanças. “Teatro se faz a partir do encontro com a plateia e, se o espetáculo tem vida longa, é natural que se transforme”, indica o diretor Alexandre Boccanera (de “Bonitinha, Mas Ordinária”). “Acho que tecnicamente estamos mais maduros hoje. Usamos melhor as possibilidades da linguagem”.

A classificação livre, que atrai o público infantil, não limita o espetáculo a esse segmento. Segundo o diretor, os adultos ficam encantados com o boneco. “Eles se surpreendem com a possibilidade de se emocionar e se divertir com o boneco. Acho que se surpreendem quando percebem que ainda carregam consigo o lugar da brincadeira. Isso é muito bonito no espetáculo”, ressalta.

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SERVIÇO: sex e sáb, 19h30. R$ 30. 40 min. Classificação: livre. Até 31de outubro. Teatro Eva Herz – Livraria Cultura – Rua Senador Dantas, 45 – Centro. Tel: 3916-2600.