“Tudo Por um Popstar, de Thalita Rebouças” é uma brisa de frescor no teatro carioca. Em cartaz no Teatro Ipanema, a peça tem um apelo adolescente inegável – como não poderia deixar de ser, aliás, já que é uma adaptação do livro infanto-juvenil da autora presente no título – mas pode ser apreciada por todas as faixas etárias. Afinal, quem já não foi fã de alguém?

(Foto: Reprodução / Facebook)
(Foto: Reprodução / Facebook)

O espetáculo conta a história de três meninas de Resende que viajam para o Rio de Janeiro para ver o show de uma banda de rock no Maracanã. Tietes puras, elas planejam vários esquemas de aproximação com os ídolos, mas tudo sai pela culatra e a aventura foge de controle. O texto, adaptado fielmente por Gustavo Reiz (de “Sansão e Dalila”), é coeso do início ao fim e não deixa a bola cair em nenhum momento. Não houve perdas com relação ao livro.

:: “É lindo ver o trabalho que você imagina na sua cabeça ganhar vida no palco”, diz escritora.

A nova montagem da peça – porque houve outra no ano passado – peca apenas em erros técnicos, como microfones que falham, e no cenário do Ronald Teixeira, que é pobre. Há somente um painel composto por calças jeans (?) e o nome da banda (Slavabody Disco Disco Boys). É como se fosse o cenário do show, mas está presente em todas as outras cenas – internas de apartamentos ou casas, ou externas como uma praia e a porta de um hotel. Ele não colabora e até sobra. Só não compromete tudo por causa da direção inteligente do Pedro Vasconcelos (de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”), que explora toda a sala do teatro para contar a história. Os atores encenam nos corredores laterais das poltronas, em frente à primeira fileira, e surgem e desaparecem por trás do público. Isso dá dinamismo, e desvia os olhos do palco, que funciona, de fato, como o do show no Maracanã.

(Foto: Alline Ourique)
(Foto: Alline Ourique)

Ainda quanto a esse aspecto, merece um enorme destaque a iluminação do Luciano Xavier, que dá o tom de showzaço, e a trilha sonora extremamente radiofônica, que convida a cantar junto. Há músicas do Michael Jackson, do Daft Punk, do Jota Quest, do Marvin Gaye e do U2, por exemplo. Todas contagiantes, e tocadas com ferocidade pela banda Jack B. E tem também “Gasolina”, da cantora Jullie, que faz a fã Manu. Ela compõe o elenco principal com Larissa Bougleux (a fã Ritinha) e Marcella Rica (a fã Gabi). Todas competentes tanto nos vocais quanto em suas interpretações.

Um nome no elenco, no entanto, se destaca de forma monstruosa. É Thais Belchior, que interpreta a prima zen e gente boa Babete. Ela rouba a cena em absolutamente todas as suas entradas e eleva o nível do espetáculo. A comicidade de sua personagem é um trunfo da trama, e a atriz é mais do que competente para explorar as oportunidades que o texto dá. À vontade em cena, improvisa e faz os espectadores gargalharem.

(Foto: Alline Ourique)
(Foto: Alline Ourique)

De um modo geral, todo o elenco está muito a fim de contar essa história, que é divertida e atemporal. Com os shows da Avril Lavigne, da Demi Lovato e do One Direction se aproximando, a peça conversa ainda mais com essa realidade de tiete. O que é o One Direction se não a versão mais próxima que temos dos fictícios Slavabody Disco Disco Boys? E sempre haverá alguém: Menudos, Backstreet Boys, Jonas Brothers… Sempre vai ter um ídolo para fãs que fazem tudo por um popstar.

O espetáculo fica em cartaz até 8 de junho no Teatro Ipanema, com ingressos a R$ 50. As sessões ocorrem sextas e sábados às 21h, e domingos às 19h. A classificação etária é de 10 anos.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.