(Foto: Bianca Oliveira)
(Foto: Bianca Oliveira)

O musical “Ou Tudo Ou Nada” botará seis atores nus no palco. Victor Maia (de “S’imbora, o Musical – A História de Wilson Simonal”) será um deles. Ele interpretará um cara que, apesar de não ser um modelo de beleza óbvio, é aceito em um grupo de strippers masculinos por um detalhe valioso: é bem dotado. “Põe isso na matéria que vai me dar uma moral”, brinca o ator, em entrevista ao Teatro em Cena. O espetáculo faz pré-estreia aberta ao público no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói, no próximo fim de semana, e chega ao Theatro Net Rio, em Copacabana, no dia 10 de outubro. Se alguém está se perguntando se realmente verá Victor como veio ao mundo, a resposta é sim.

– Minha primeira entrada já é sem roupa. O público vai “ver minha bunda antes de ver minha cara”. Eu dei uma pirada quando li pela primeira vez, mas já estava a fim de fazer algo que me desafiasse assim. Não acho que é um desafio como ator, mas, se despir em cena, é um desafio à vaidade. É se desnudar totalmente pelo personagem, metaforicamente e literalmente. No início, me assustou, mas estou pronto para fazer. Não tenho problema algum com meu corpo. A única coisa que eu não gostava era minha orelha, que operei (risos). O musical é tudo ou nada. Se a gente não fizesse o strip mesmo, acho que o público ficaria decepcionado. – conta.

Prévia do que o público verá: Victor sem camisa e fantasiado de policial (Fotos: Bianca Oliveira / Marco Rodrigues)
Prévia do que o público verá: Victor sem camisa e fantasiado de policial (Fotos: Bianca Oliveira / Marco Rodrigues)

Na história, adaptada do filme britânico homônimo de 1997, o mercado industrial está em declínio e ocorrem demissões em massa. Desempregados, um grupo de metalúrgicos decide montar um show de strip-tease para conseguir dinheiro. Eles veem o sucesso que os Chippendales fazem com as mulheres, e se propõem a apresentar algo mais: a nudez total, o que os strippers famosos não fazem. O personagem do Victor entra na história após uma audição, onde seu pênis grande é descoberto. Ele se envolve com o personagem do André Dias (de “Bilac Vê Estrelas”), também parte dos strippers cômicos. “Não sei se ele aparece para tirar o personagem do André do armário… Não sei ainda se ele é gay, de verdade. Acho que os dois estão tão carentes que acabam se envolvendo”, diz o ator.

Victor recebeu o convite do diretor Tadeu Aguiar, que trabalhou com ele em “Quase Normal”, durante a temporada de “S’imbora, o Musical”. Duas semanas após o fim da temporada da peça em São Paulo, deu início aos ensaios com o diretor musical Miguel Briamonte (de “Cats”). Foi tudo muito rápido, mas ele ainda perdeu cerca de 3kg para o papel. Achou que o personagem pedia um corpo menos sarado e abandonou a malhação. “A graça de eles quererem fazer strip-tease é não corresponderem aos padrões: tem um gordo, tem um velho…”. Seus colegas de cena – e de strip – são André, Sérgio Menezes (de “Bilac Vê Estrelas”), Claudio Mendes (de “Educando Rita”), Mouhamed Harfouch (de “Fazendo História”) e Carlos Arruza (de “Se Eu Fosse Você, o Musical”).

O elenco principal (Foto: Guga Melgar)
O elenco principal (Foto: Guga Melgar)
(Foto: Guga Melgar)
(Foto: Guga Melgar)

Esse é o décimo musical da carreira do Victor Maia, e ele já está pensando no próximo – um autoral para o verão. Depois de “Ou Tudo Ou Nada”, ele quer montar um espetáculo próprio com Ingrid Gaigher (de “Antes Tarde Do que Nunca”), Hugo Kerth (que trabalhou com ele em “The Book of Mormon”) e Larissa Landim (que está com ele em “Ou Tudo Ou Nada”). Ele ainda faz segredo quanto ao tema, mas adianta que é baseado em situações inusitadas que eles e outros atores viveram. O texto e as músicas estão sendo escritas por Leandro Muniz (dos filmes “Meu Passado Me Condena” 1 e 2), que também assinará a direção, e João Fonseca (de “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”) foi sondado para a supervisão.

– Ainda não posso falar muito, mas o estalo me veio quando a gente estava em um grupo no Whatsapp conversando sobre outro projeto. Pensei “não podemos deixar isso passar”. Eu nunca vi isso em cena dessa forma que queremos fazer. São histórias que merecem ser contadas. Não vamos poupar ninguém, só ocultar os nomes. Eu, na verdade, estava com vontade de me autoproduzir há algum tempo. Acredito que é uma boa oportunidade de se colocar em uma posição de destaque. A minha grande chance foi em “Aurora da Minha Vida”, que o Tadeu me viu e me chamou para “Quase Normal”. Depois, quando substitui o Leo [Bahia] em “The Book of Mormon”, o Pedro Brício me viu e me chamou para “S’imbora, o Musical”. Eu não quero ficar esperando. Tem cada vez mais gente bem preparada no mercado. Nos produzindo, vamos nos colocar em uma posição de destaque para que nos vejam dessa forma. Eu não estudei e me preparei tanto para ser ensemble a vida toda, sabe?

(Foto: Marco Rodrigues)
(Foto: Marco Rodrigues)

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SERVIÇO – NITERÓI: sex, 21h30; sáb, 18h e 21h30; dom, 19h. R$ 60. 140 min. Classificação: 10 anos. De 25 de setembro até 4 de outubro. Teatro Popular Oscar Niemeyer – Av. Jornalista Rogério Coelho Neto, s/n – Niterói. Tel: 2621-5104.

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SERVIÇO – COPACABANA: qui e sex, 21h; sáb, 18h e 21h30; dom, 19h. R$ 50 a R$ 150. 140 min. Classificação: 10 anos. De 10 de outubro até 20 de dezembro. Theatro Net Rio – Rua Siqueira Campos, 143, 2º piso – Copacabana. Tel: 2147-8060.