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“Meu Ex Imaginário” é para rir do início ao fim. A peça, escrita por Regiana Antonini (de “Doidas e Santas”), acompanha a tentativa de Maria Antônia (vivida por Milena Toscano) de superar o fim do seu relacionamento amoroso e encontrar um novo amado. Premissa simples, se ela não tivesse o ex imaginário (interpretado por Marco Antônio Gimenez) presente em sua vida. Para quem não entendeu, explica-se: o ex(-namorado) imaginário é uma nova versão do amigo imaginário. Só que é ex, e isso significa discutir a relação frequentemente, é claro.

O argumento bem humorado é irreal, como se pode notar, mas é interpretado com veracidade convincente pelo elenco. Além de Milena e Marco, também há Zé Auro Travassos – que é a grande atração. O ator interpreta todos os personagens secundários: os homens por quem Maria Antônia se interessa, além de sua melhor amiga. É com ele que o público gargalha. Às vezes, ele peca pelo exagero, e soa como a personagem Valéria Vasquez do “Zorra Total”, mas, no geral, Zé rouba a cena e dá energia ao espetáculo. Na segunda metade da peça, é só ele aparecer, caracterizado como mais um personagem diferente, que o público desata a rir com sua presença.

meu ex imaginario

A direção é do Michel Bercovitch (de “Um Sonho Para Dois”), que também trabalhou com o elenco anterior, formado por Fernanda Paes Leme, Henri Castelli e Marcello Gonçalves. Seu trabalho é preciso e deixa os atores confortáveis para improvisar quando julgam interessante. Zé Auro parece explorar o artifício, provocando o riso até dos colegas de cena. Mas ele também assina como assistente de direção, o que lhe dá maior liberdade para manejar.

Outra questão que chama a atenção é a trilha sonora, com músicas que vão desde uma releitura da Britney Spears até Ella Fitzgerald cantando bossa nova. Apetece. Junto com a meia-luz, as canções introduzem e pontuam novos momentos na história, usadas de maneira positivamente funcional.

O tom da peça é de comédia romântica – porque você percebe o fim desde o início – mas a maneira que a história é conduzida, dividida em vários esquetes, é o que diverte e surpreende. A cena da sala de espera da psiquiatria é ótima. Além disso, o texto é atualíssimo e traz referências ao Facebook, ao Instagram e ao estilo de vida de toda uma geração, o que provoca identificação. Agrada.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.